Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Istambul exibe a primeira longa-metragem de animação portuguesa


A primeira longa-metragem de animação portuguesa, “Até ao Tecto do Mundo”, chegou a Istambul, depois de ter passado por Hollywood.
A película de animação realizada por Carlos Silva, Costa Valente e Vítor Lopes, produzida pelo Cine Clube de Avanca, foi exibida no “12th Hollywood Film Festival”, no passado dia 26, às 14 horas, no complexo de cinemas Arc Light do Sunset Boulevard, no centro de Hollywood.
A longa-metragem tem viajado pelo mundo como participante em diversos festivais de cinema e tem recebido alguns prémios, nomeadamente no Canadá e Estados Unidos da América.
De 28 deste mês a 13 de Novembro, o filme integra a selecção oficial da sexta edição do “Festival Internacional de Cinema para a Infância de Istambul” (Turquia), para o qual a organização realizou a dobragem da história para a língua turca. Estão agendadas 15 exibições da película durante o certame.
A próxima paragem de “Até ao Tecto do Mundo” será na Horta, nos Açores, no Festival de Cinema do Faial.
Trata-se do primeiro filme produzido a nível mundial com uma nova tecnologia de animação vectorial 2D, desenvolvida no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro. A longa-metragem narra a história de um reino onde tudo é proibido. O seu rei constrói uma infindável torre com base na floresta vizinha, fornecedora de todos os materiais, a qual vai sendo destruída. “João” é jovem protagonista do filme que, atento à destruição da floresta, tenta salvá-la, mas apaixona-se pela princesa.

(Fonte: Diário de Aveiro)

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Antália foi o grande palco do cinema



O 45º Festival de Cinema Laranja de Ouro (Altın Portakal Film Festivali ), que celebra o cinema turco, e o 4º Festival de Cinema da Eurasia (Uluslararası Avrasya Film Festivali Filmeleri), que constitui a abertura do Altın Portakal aos filmes da Europa e da Ásia, decorreram em Antália entre 10 e 19 de Outubro.
O evento reuniu um leque considerável de nomes famosos, tais como Adrien Brody, Bo Derek, Joan Chen, Mickey Rourke, Kevin Spacey, Maximilian Schell, Danny Glover e Michael York.
Brody assistiu ao filme que encerrou o evento: “The Brothers Bloom”, onde é um dos actores principais, juntamente com Maximilian Schell. Kevin Spacey também compareceu e falou bastante sobre cinema durante uma conferência de imprensa. Mickey Rourke assistiu ao filme “The Wrestler” realizado por Darren Aronofsky e no qual é protagonista. Danny Glover também marcou presença para assistir à estreia na Turquia de "Blindness" de Fernando Meirelles.
Aconteceram paralelamente workshops de escrita de argumentos, que tiveram este ano como convidado de honra o argumentista francês Olivier Lorelle.

Os prémios do 45º Festival de Cinema Laranja de Ouro (Altın Portakal) foram os seguintes:

Prémio Honorário: Yılmaz Atadeniz

Prémio de Sucesso no Cinema: Hülya Avşar

Prémio Memorial Yıldıram Önal: Müşfik Kenter

Prémio Trabalho: Aydın Mesut Yurteri

Melhor Filme: "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade) - Realizador: Ben Hopkins

Prémio Especial do Júri Dr. Avni Tolunay Yurtiçi Kargo: "Nokta" (Dot) – Realizador: Derviş Zaim

Prémio Revelação Digiturk Behlül Dal: Aydın Bulut – "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)

Melhor Realizador: Derviş Zaim – "Nokta" (Dot)

Melhor Argumento: Ben Hopkins – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Música: Mazlum Çimen – "Nokta" (Dot)

Melhor Actor: Tayanç Ayaydın – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Actriz: Nurgül Yeşilçay – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Actor Secundário: Volga Tekinoğlu – "My Marlon and Brando" & "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)

Melhor Actriz Secundária: Övül Avkıran – "Pandora'nın Kutusu" (Pandora's Box)

Melhor Cenário e Prémio Kodak - Zekeriya Kurtuluş – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Director Artístico: Türker İşçi – "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)
Melhor Edição: Mustafa Preşeva – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Efeito Sonoro: Kostasvi Variopiotis – "Nokta" (Dot)

Melhores Efeitos Especiais: Burak Balkan – "Üç Maymun" (Three Monkeys)

Melhor Fotografia: "Gökten 3 Elma Düştü" (3 Apples Fell from the Sky) & "Vicdan" (Conscience)

Melhor Guarda-roupa: Zeynep Sırlıkaya – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Maquilhagem e Cabelos: Vesey Üsten – "Vicdan" (Conscience)

Prémio SİYAD: "Hayat Var" (My Only Sunshine) – Realizador: Reha Erdem

Melhor Documentário: "Adakale Sözlerim Çoktur" (Adakale Stories) – Realizador: İsmail Arasan

Prémio Especial do Júri para Documentário: "Nefes" (Breath) – Realizador: Cüneyt Birol

Melhor Curta-metragem: "Gemeinschaft" – Realizador: Özlem Akın

Prémios de Cultura e Arte do Ministério da Cultura e Turismo da República da Turquia: Muhterem Nur, Eşref Kolçak, Yücel Çakmaklı

Prémio (Fundo) para o Desenvolvimento do Argumento:
"A Handful of Fate" – Ali Vatansever

Os prémios do 4º Festival de Cinema da Eurasia foram os seguintes:

Prémios honorários: Kevin Spacey, Paul Verhoeven, Maximilian Schell, Zbigniew Preisner e Michael York

Prémios Contribuição para o Cinema e Arte: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Adrien Brody, Matthew Modine e Michael J Werner

Melhor Filme: "Khamsa" – Realizador: Karim Dridi

Melhor Realizador: "Aruitemo Aruitemo" (Still Walking) – Realizador: Hirokazu Koreeda

Prémio SİYAD: "Üç Maymun" (Three Monkeys) – Realizador: Nuri Bilge Ceylan

Prémio NETPAC: "Sonbahar" (Autumn) – Realizador: Özcan Alper

Prémio da Crítica: "Nokta" (Dot) – Realizador: Derviş Zaim

Fonte: Notícias da Turquia

Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Fatih Akin: o cineasta com um hífen na identidade


Para além da cara de estrela rock com intensidade de melodrama, Fatih Akin transporta na sua bagagem um hífen, o sinal que também se utiliza quando se quer grafar, em algumas línguas, uma identidade fluida, que está por aprisionar. "German-turkish" para uns, "turkish-german" para outros - depende de onde se olha -, nasceu em Hamburgo, Alemanha, há 35 anos, filho de pais turcos. Fatih já ironizou: a partir do momento em que recebeu um Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2004, pelo tonitruante "A Esposa Turca", filme com o qual passou a ser considerado ícone de um renascimento do cinema alemão (comparações a Rainer Werner Fassbinder e tudo...), os alemães reclamaram-no - é Alemão de origem turca -, mas os Turcos também - é um Turco que emigrou para a Alemanha, dá jeito, para solidificar a imagem internacional da cinematografia turca, pô-lo ao lado de nomes como o de Nuri Bilge Ceylan, realizador de "Climas".

Fatih revê-se na ambivalência, usa-a com proveito. Definitivamente: como chamá-lo?
"Não me interessa o que sou", responde ao Ípsilon. "Reajo consoante a situação. Durante o Europeu de futebol, por exemplo, quando a Alemanha jogou contra a Turquia eu era pela Turquia. Mas quando a Alemanha jogou contra Portugal, eu fui pela Alemanha." E completa: "Quando os meus pais vieram para a Alemanha, eram considerados trabalhadores imigrantes, eram 'convidados'. As pessoas não os consideravam Alemães. Agora sim, são considerados Alemães. Há uma forma mais relaxada de os Alemães tratarem os imigrantes. Estão a fazer o melhor que podem. Na América isso não aconteceria, seríamos sempre considerados convidados."

Em trânsito

Isto serve como introdução ao tema "globalização" e à condição de Fatih Akin, realizador/argumentista que está, ele assume-o, nas seis personagens que escreveu para "Do Outro Lado": um pai, um filho, uma prostituta, uma activista política (Turcos), uma mãe, uma estudante lésbica (Alemãs), que se encontram e - com consequências cinematográficas mais relevantes - se desencontram no trânsito entre o centro da Europa e os seus confins. Ou seja, entre Bremen e Istambul. "São todas personagens baseadas na minha biografia, nas minhas experiências, nos meus desejos", diz.

Mas não se diga a Fatih Akin que são personagens à procura das "raízes". "Isto não tem a ver com Kunta Kinte, isto não é 'Raízes' [personagem e série de TV, do final dos anos 1970, baseada no romance de Alex Haley]. Eu diria que as personagens estão à procura de uma paz interior. Por causa da globalização, as pessoas hoje falam muito do desejo de regressar às suas origens. Isso pode transformar-se em algo próximo do chauvinismo - vê-se isso nos jogos de futebol. Não gosto disso. Não preciso de acontecimentos desportivos para expressar os meus sentimentos de pertença. Nasci na Alemanha e cresci com pessoas de todo o mundo. Isso foi uma dádiva. Não teria sido assim se tivesse nascido em outro lugar. Fazermos as nossas escolhas pela nacionalidade é um sinal de fraqueza. Estou na casa dos 30 anos, muitas pessoas da minha idade, amigos incluídos, lutam de forma apaixonada contra a globalização. Eu faço filmes, não me ponho aos berros contra a polícia. Não sou contra a globalização, ser contra a globalização é como ser contra as leis de Newton. Há muitos aspectos positivos na globalização."

Confere que existe algo a que podemos chamar apaziguamento ou aceitação - para além dos episódios de turbulência e morte que sacodem estas vidas - na condição caótica e contraditória das personagens que estão em trânsito em "Do Outro Lado". São figuras que transportam uma identidade que nem um hífen pode resumir: uma jovem turca, membro de um grupo radical anti-globalização, refugia-se na Alemanha onde a mãe trabalha como prostituta - ela não o sabe, pensa que a mãe trabalha numa sapataria. Nunca chega a encontrá-la, mas encontra uma rapariga alemã que se apaixona pelo seu fervor revolucionário (e a Turca apaixona-se pela paixão da Alemã) e cuja mãe é interpretada por Hannah Schygulla ("musa" de Fassbinder).

Mas entretanto, antes disso, ao mesmo tempo que isso...

A prostituta, identificada por fundamentalistas islâmicos, é obrigada a abandonar o "red light district" de Bremen onde trabalha e a aceitar a proposta de casa, mesa, roupa lavada e mais alguma coisa de um velho imigrante turco (interpretado por Tuncel Kurtiz, em tempos actor de um "clássico" da cinematografia turca, o realizador Yilmaz Güney), cujo filho é professor de Literatura Alemã - se Fatih é todas as personagens, ele é especialmente este Turco de segunda geração na Alemanha, especialista em Göethe.

O realizador enche-se de subtilezas em "Do Outro Lado", o que é uma surpresa tendo em conta o som e a fúria do anterior filme, "A Esposa Turca". Refreia-se, escolhe a lentidão, concentra-se no legado que uma personagem passa a outra - é a morte de alguém que desencadeia a(s) narrativa(s) -, interessa-lhe o trânsito mais do que os lugares. Que se equivalem, Bremen ou Istambul, sem exotismos. "Sim, para mim, os espaços têm a ver com as pessoas." Quanto à morte... digamos que em "Do Outro Lado" ela é um princípio regenerador da narrativa. "Quando chegamos aos 30 anos, começamos a pensar que a morte faz parte da vida, que é uma coisa mais determinante filosoficamente - por isso até há quem se torne religioso. É o mesmo em todas as culturas. Quis fazer um filme positivo, sobre a vida. A morte é parte da vida. É a regra. E em termos de construção do filme foi na montagem que decidi, não estava no argumento, que seriam as mortes das personagens a dar origem à narrativa que se seguia. Escolhi um ritmo lento, precisava de um certo efeito de suspense, um efeito hithcockiano", por isso estas mortes são anunciadas no ecrã em fundo negro.

Fassbinder ou não

Fatih Akim chegou ao cinema através da actividade como actor. A cinefilia não foi educada em escola de cinema, foi feita à imagem da sua identidade: sem hierarquia, porque o cinema é tão "vasto, tão 'world-wide'", porque o DVD anula as fronteiras entre passado e presente. "Não posso dizer que tenha sido fã da 'nouvelle vague' ou do neo-realismo'." Essas descobertas chegaram tarde. "Vi muitos filmes turcos e muitos filmes de Spielberg. O cinema que descobri nos anos 1980 foi o cinema 'entertainment'; o cinema de 'arte e ensaio' só o descobri aos 16 anos, Bergman, Woody Allen, Coppola." E "Rocky" e "Taxi Driver", de Scorsese, a primeira vez que percebeu havia um cineasta atrás de um filme. Recentemente, quando se preparava para "Do Outro Lado", descobriu Griffith e Bresson.

Tanto é posto ao lado de Tom Tykwer ("Corre, Lola Corre"), o seu colega alemão fascinado pelo maquinismo industrial, como há quem encontre uma genealogia "fassbinderiana" na sua leitura da sociedade alemã de hoje. Há quem parta do pressuposto, em artigos inteiros, que "A Esposa Turca" e "Do Outro Lado" fazem parte de uma trilogia com que Akin responderia, à sua maneira, a uma trilogia de Fassbinder ("O Casamento de Maria Braun", "Lola", "A Saudade de Veronika Voss"). A escolha de Shygulla para o papel de mãe em "Do Outro Lado" confirmá-lo-ia. Essa trilogia, diz-nos Akin, a "Love, Death and the Devil Trilogy", por agora até está interrompida. Provavelmente nunca se completará. O realizador anda ocupado com um documentário sobre o tratamento de lixo em Istambul. Mas para além disso, "não há um 'link' muito óbvio", assume, com Fassbinder. Gosta muito de algumas coisas dessa obra, como "O Medo Come a Alma" ou "O Casamento de Maria Braun", mas não gosta dos filmes do princípio - o que não é nada "fassbinderiano", aliás.
"Ele é muito formalista, e eu não sou nada, não vejo onde é que está a razão para as comparações. É claro que ele foi o realizador alemão mais importante de todos os tempos, depois daqueles que fugiram para Hollywood. Mas não posso dizer que seja o meu mestre."

(Fonte: Público)

"Do Outro Lado" de Fatih Akin em exibição em Portugal

Fatih Akin é um realizador que conta já com uma considerável "bolsa" de prémios. "Do Outro Lado" estreia agora em Portugal e arrecadou, entre outros, o Prémio de Melhor Argumento no Festival de Cannes de 2007. Akin nasceu na Alemanha, sendo filho de pais turcos imigrados. Talvez por isso as questões da identidade sejam tão caras à sua cinematografia, em geral. Neste filme Akin fala especificamente da Alemanha e da Turquia através de personagens que se dividem entre duas realidades culturais distintas e que se cruzam. Apesar das reticências do filho Nejat, Ali, viúvo, decide viver com Yeter, uma prostituta de origem turca. Mas Nejat, professor de Alemão, acaba por começar a afeiçoar-se a Yeter quando descobre que ela manda dinheiro para a Turquia, para ajudar a pagar os estudos universitários da filha. A morte acidental de Yeter afastará pai e filho e Nejat decide viajar para Istambul para tentar encontrar a filha dela, Ayten. Activista política, Ayten fugiu da polícia turca e já se encontra na Alemanha, onde se torna amiga de Lotte. Mas o pedido de asilo de Ayten é negado e ela é deportada e enclausurada na Turquia. Num acto irreflectido, Lotte decide partir para a Turquia para ajudar a amiga. Situações políticas (como a da Turquia na Europa), choques civilizacionais e geracionais são o pano de fundo de "Do Outro Lado" - filme que tem sido elogiado por tratar a complexidade das fronteiras culturais sem ditar certezas. De salientar é também a interpretação da reputada Hanna Schygulla, actriz conhecida, nomeadamente, pelos filmes de Fassbinder.

(Fonte: Lifecooler)

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

A Turquia celebrou o Bayram


O Ramazan Bayramı (Festa do Ramadão) ou Şeker Bayramı (Festa do Açúcar) começou no dia 30 de Setembro e terminou no dia 2 de Outubro. No entanto, muitos Turcos tiveram oportunidade de celebrar umas mini-férias de nove dias por generosidade do Governo e mesmo de empresas privadas.
O primeiro dia do Bayram, em termos de tradição cultural é o mais importante. Principalmente as crianças devem vestir roupas novas e calçar sapatos novos. Um pai de família considera uma grande vergonha não poder comprar sapatos novos para os seus filhos no Bayram. Depois do pequeno-almoço, é tradição os homens irem à mesquita para rezar, caso sejam Muçulmanos sunitas. Os Alevitas poderão deslocar-se às suas casas de oração chamadas cemevi. No regresso a casa vão cumprimentando amigos ou vizinhos que encontram pelo caminho. Depois começam as visitas, que podem incluir uma visita ao cemitério para lembrar os amigos e familiares que já "partiram". As visitas implicam beijar a mão dos mais velhos. Também os políticos devem beijar a mão do líder do partido, e o director de uma empresa deverá beijar a mão do dono da empresa para a qual trabalha. Primeiro são visitados e cumprimentados os elementos masculinos mais velhos do lado paterno da família. Só depois do lado paterno estar terminado é que se avança para o lado materno. As crianças também aguardam cumprimentos, embora tenham de beijar as mãos dos mais velhos. Depois de o fazerem são recompensadas com beijos na face e olhos, com o desejo de que Allah lhes dê muitos anos de vida e com dinheiro. As crianças também andam ocupadas a bater às portas da vizinhança a recolherem rebuçados ou mesmo dinheiro para gastarem como entenderem.
Os restantes dois dias do Bayram destinam-se às visitas dos mais velhos às casas dos mais novos. No entanto, há quem esqueça todas estas tradições e crie outra: aproveitar para passar uns dias de férias.
Por todas estas razões, os dias que antecedem o Bayram transformam-se em verdadeiras romarias de compras de presentes, roupas e doces. As fábricas de rebuçados e de chocolates fazem o negócio do ano nesta altura. Já as viagens de autocarros são gratuitas durante os três dias do Bayram.
Enquanto tudo isto acontece, os tocadores de tambor do Ramadão tocam a todas as portas na esperança de receberem uma "recompensa" por se terem levantado e tocado tambor todos os dias às 3.30 horas da madrugada para acordarem as pessoas para o sahur (a refeição antes do nascer do sol durante o Ramadão). Muitas vezes trata-se de um grande negócio porque ninguém lhes vê a cara àquelas horas e qualquer homem com um tambor pode bater às portas que quiser a pedir dinheiro. Por esse motivo, às vezes, as fotos dos tocadores de tambor da área de residência são colocadas no átrio de entrada de cada prédio para não haverem "enganos".

Também é vulgar verem-se nas ruas os coelhos que escolhem o papelinho onde está escrito o seu "destino".


Ver também: O Bayram é sempre doce...

Sábado, 27 de Setembro de 2008

Filme turco venceu a Concha de Ouro em San Sebastián


O filme turco "Pandora's Box" (Pandoranin Kutusu), da realizadora turca Yeşim Ustaoğlu, ganhou hoje a Concha de Ouro de melhor filme no 56º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.
A veterana actriz francesa Tsilla Chelton ganhou a Concha de Prata para a melhor actriz também por "Pandora's Box".

Pandora's Box /Pandoranin Kutusu; Realizadora: Yeşim Ustaoğlu; País: Turquia/França/Alemanha/Bélgica; Ano: 2008; Língua: Turco; Duração: 112 minutos; Formato: Cor/35mm; Produção: Ustaoğlu Film Yapim/Silkroad Production/ Les Petites Lumières/ Stromboli Pictures/The Match Factory; Produtores: Yeşim Ustaoğlu, Muhammet Çakiral, Serkan Çakarer, Behrooz Hashemian, Setareh Farsi, Natacha Devillers, Catherine Burniaux, Michael Weber, Tobias Pausinger; Argumento: Yeşim Ustaoğlu, Selma Kaygusuz; Elenco: Tsilla Chelton, Derya Alabora, Onur Unsal, Övül Avkiran, Osamn Sonant

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Hoje é Kandil: "Kadir Gecesi"

Hoje celebra-se uma das cinco noites sagradas do calendário muçulmano designadas Kandil, que significa vela. Chamam-se assim porque as mesquitas apresentam-se iluminadas durante estas noites especiais em que os Muçulmanos fazem orações e cantam o Mevlit, um poema escrito para celebrar o nascimento do profeta Maomé.
Hoje celebra-se concretamente a Kadir Gecesi, que marca a primeira aparição do Corão ao profeta Maomé.
Quem caminha pelas ruas de qualquer cidade, vila, ou aldeia turca vai aperceber-se facilmente dos dias em que se celebra o Kandil, uma vez que vendedores ambulantes e pastelarias vendem as roscas do kandil (Kandil Simidi), uma rosca geralmente coberta com sementes de sésamo.

Mais sobre o Kandil aqui.

"Saturno Contro" de Ferzan Özpetek é exibido hoje no Cinema São Jorge


Dez anos após a sua estreia como realizador em "Il Bagno Turco", e cinco longas-metragens depois, o cineasta italiano de origem turca Ferzan Özpetek surge com Saturno Contro (passa hoje, às 22.00, na sala 1 do Cinema São Jorge, no âmbito do Queer Lisboa), filme com um título pleno de ressonâncias astrológicas. Um título que, porém, mesmo para quem domine o seu significado esotérico, não deixa de ser algo obscuro e difícil de justificar à luz do que se passa com as personagens do filme. Mas talvez baste dizer que se trata de um termo astrológico que designa tempos de grande perturbação e convulsão.

Saturno Contro é um filme essencialmente apostado em expor a teia de relações que se vai tecendo entre diversas personagens, e a forma como um acontecimento trágico abala, transforma e porventura robustece tais ligações. O círculo de amigos abre-se com Lorenzo (Luca Argentero), que andará pelos 30 anos e é namorado de Davide (Pierfrancesco Favino), escritor e mais velho que este uma década. Lorenzo é avesso a mudanças e gostaria de eternizar a felicidade presente, mas talvez Saturno venha alterar-lhe os planos. Roberta (Ambra Angiolini), amiga de Lorenzo, é que teria uma palavra a dizer sobre tal influência, pois está convencida de que a sua toxicodependência e falta de amor-próprio se explicam por um "mau horóscopo". No mundo de amigos (entre os quais encontramos os actores Stefano Accorsi e Margherita Buy) que os rodeiam, cruzam-se histórias de amor e infidelidade, de relações secretas e desejos. Contudo, o inesperado acontece quando Lorenzo sofre um derrame cerebral.

Melodrama intimista com um toque almodovariano (mas do lado mais "sóbrio" do cineasta espanhol) e óptimas interpretações dos actores, Saturno Contro é um filme centrado no poder salvífico, mas também na fragilidade das relações humanas (nas quais somos todos afinal pedras angulares uns dos outros), sendo nesse sentido um exemplo bem estruturado de um cinema essencialmente antropocentrado. Um cinema sobretudo interessado no factor humano de uma perspectiva eminentemente relacional, e não tanto em aduzir reflexões existenciais, as quais deixa humilde e despretensiosamente por conta dos espectadores que nelas queiram arriscar-se. No entanto, uma lição podemos tirar deste filme: somos todos conservadores do que nos faz felizes.

(Fonte: Diário de Notícias)

Pintura Turca no Museu de Pintura e Escultura de Ancara

O Museu de Pintura e Escultura de Ancara (Ankara Devlet Resim ve Heykel Müzesi) tem uma importante colecção de pintura do século XIX até aos nossos dias. As obras são de vários pintores turcos de renome, tais como: Eşref Üren, Arif Kaptan, Turan Erol, Devrim Erbil, Mustafa Pilevneli, Orhan Peker, Refik Epikman, Şefik Bursalı, Mehmet Özel, Osman Zeki Onal, Şeref Akdik, Hikmet Onat, Bedri Rahmi Eyuboğlu, entre outros.


Domingo, 21 de Setembro de 2008

Dança e música sufi no Porto


O espectáculo de dança e música sufi é organizado pela Associação de Amizade Luso-turca e vai decorrer no próximo dia 27 de Setembro, às 21 horas, no anfiteatro da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto (Rua Dr. Manuel Pereira da Silva). A entrada é livre.

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

"Fire of Anatolia - Dança dos Sultões" em Portimão


Parte da história e das tradições da Turquia vão passar pelo Portimão Arena na noite da próxima sexta-feira, no grandioso espectáculo ‘Fire of Anatolia – Dança dos Sultões’.
Em palco vão estar, em muitos momentos em simultâneo, 68 bailarinos, no maior espectáculo de dança e música alguma vez produzido na Turquia e aplaudido em todo o Mundo por mais de oito milhões de espectadores de 60 países.
A Dança dos Sultões figura no livro dos recordes Guinness como a actuação de dança mais rápida do Mundo, com 241 passos por minuto.
A energia dos bailarinos, a exuberância dos trajes e a conjugação muitas vezes apoteótica entre os movimentos em palco e a música (dezenas de tambores em palco) tornam o espectáculo grandioso.
‘Fire of Anatolia – Dança dos Sultões’ bebe boa parte da sua inspiração na mitologia e na milenar cultura da Anatólia, sendo também por isso uma viagem às tradições da Turquia.
Os bilhetes para esta apresentação custam 12,50 euros e já estão à venda no Auditório Municipal de Portimão, entre as 14h00 e as 20h30, ficando também disponíveis na bilheteira do Portimão Arena no dia do espectáculo, a partir das 18h00.
No recinto do espectáculo haverá, mediante marcação prévia, serviço gratuito de acompanhamento para crianças entre os 3 e os 10 anos.

(Fonte: Correio da Manhã)

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

"Fire of Anatolia" em Portimão e nos Açores


Três companhias da China, Turquia e Espanha sobem ao palco do Coliseu Micaelense de Ponta Delgada, entre Setembro e Novembro, para cinco espectáculos integrados num ciclo de "Danças do Mundo".
Segundo fonte do Coliseu Micaelense, a "Beijing Dance Academy", a "Fire of Anatolia" e a "Companhia Suite Espanhola" deslocam-se pela primeira vez aos Açores para realizarem este conjunto de espectáculos, integrados no ciclo "Danças do Mundo". O ciclo abre com a Academia de Dança de Pequim, "uma das mais importantes escolas de ensino superior artístico na China que se apresenta pela primeira vez em Portugal" a convite da Fundação Oriente, e que actua nos dias 26 e 27 de Setembro no Coliseu, referiu a fonte. A 3 e 4 de Outubro, a companhia turca "Fire of Anatolia" realiza o "Legendary Dance Show", espectáculo com dezenas de bailarinos e tambores, durante cerca de duas horas, "já consagrado no Livro Guiness dos Recordes Mundiais como a actuação de dança mais rápida do mundo, com 241 passos por minuto". O Coliseu adianta que a passagem pela Península Ibérica da companhia, no quadro da actual digressão mundial, constitui também o encerramento do ciclo de grandes espectáculos do "Portimão Arena" a 19 de Setembro, e integra o programa oficial da "Expo Zaragoza" em Espanha. O ciclo de "Danças do Mundo" encerra a 7 de Novembro com a "Companhia Suite Espanhola", que se desloca de Madrid para dar no Coliseu Micaelense um espectáculo com cerca de duas horas, com duas dezenas de bailarinos e músicos que apresentam as obras "Antologia Flamenca" na primeira parte e "Garcia Lorca Canta a la Petenera" na segunda.

(Fonte: Açoriano Oriental)

Os Portugueses Ram e Mar estão em Istambul


Gonçalo Ribeiro (Mar) e Miguel Caeiro (Ram), dois artistas de graffiti portugueses, estão em Istambul desde o dia 8 de Setembro a convite Eastpak para pintarem mochilas da marca.

O evento designa-se "Tag my Pak" e desenrola-se em diferentes locais:

8 de Setembro: Ayakkabı Dünyası Capacity

9 de Setembro: Ayakkabı Dünyası Nautilus

10 de Setembro: Bağdat Caddesi Sportworks

11 de Setembro: Akmerkez

12 de Setembro: İntersport Kanyon

13 de Setembro: Boyner İstinye Park

14 de Setembro: Boyner Şaşkınbakkal

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Cinema turco no Festival de Veneza


O realizador Semih Kaplanoğlu está a construir uma trilogia sobre a vida de um poeta chamado Yusuf. Começou com "Egg" (2007), há-de haver "Honey", por agora temos "Milk" nesta caminhada em direcção à infância de uma personagem. Depois do Yusuf maduro do filme anterior, encontramos Yusuf rapaz: admissão à faculdade recusada, a publicar os seus poemas em obscuras revistas literárias, a viver com a mãe no campo, na Anatólia, onde o negócio do leite que os dois gerem vai mal.
Pode dizer-ser que é um filme sobre o "velho e o novo" na sociedade turca, sobre as contraditórias aspirações de quem é apanhado nas mudanças. O "leite" do título original permitirá aproximações psicanalíticas a esta história em que as personagens são uma mãe e um filho. Mas "Milk" não é um filme "sobre"... Progride por sinais, indícios, manifestações de uma metafísica secreta, secreta como a relação entre a mãe, que mantém um affair que desestabiliza Yusuf, e o filho que não sabe o que fazer aos laços que o prendem à infância.
Kaplanoğlu diz que a relação mãe-filho na sociedade tradicional turca é uma das razões por que os jovens turcos têm tanta dificuldade em fazer a transição mental da infância para a idade adulta.

"Süt" (Milk) de Semih Kaplanoğlu (Turquia, França Alemanha)
com Meli Selçuk, Başak Koklukaya, Serif Erol
Venezia 65 - Selecção Oficial - em competição

(Fonte: Público)

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

A Turquia celebrou o Dia da Vitória (Zafer Bayramı)




O dia 30 de Agosto, feriado nacional na Turquia, marca o Dia da Vitória (Zafer Bayramı) sobre os Gregos em 1922, facto muito importante para a formação da República Turca em 1923.
Acrobacias aéreas e desfiles militares são os actos mais marcantes deste dia, e são presenciados ao mais alto nível pelo Exército e Governo, em Ancara, no centro cultural Atatürk (Atatürk Kültür Merkezi).

(Fotos: AFP)