Causos Arquitetônicos - o tal greenbuilding e a arquitetura sustentável...
Algum tempo atrás linkei uma entrevista do Glenn Murcutt e outra do Souto de Moura que (in)diretamente falavam sobre a sustentabilidade na arquitetura ser um princípio básico de projeto e uma responsabilidade do profissional e não uma coisa extraordinária que serve mais como ação de marketing para um mercado imobiliário sedento por novidades...Vou contar para vocês um causo que foi presenciado recentemente por um amigo, só para ilustrar um pouco como isso às vezes é tratado no mercado:
Projeto de um empreendimento comercial no interior no Rio Grande do Sul, aproximadamente 6 mil metros quadrados e uma intenção de estampar um selo da USGBC no material de venda... e para isso entre outras soluções que valem ponto no sistema LEED seria adotado o aproveitamento da água da chuva para lavagem dos pisos externos e para irrigação da grama e dos jardins e o empreendimento também contaria com uma estação de tratamento de efluentes (ETE), tratando todas as águas negras e cinzas e aproveitando a água tratada pela ETE somente para os vasos sanitários.
Até aqui tudo ok, até que alguém levantou a seguinte questão: pelos cálculos realizados, levando em conta indíces pluviométricos e as áreas a serem lavadas/irrigadas, o reservatório para água da chuva deveria ter entre 5 e 7 mil litros... paralelamente a ETE realizando o tratamento de todas as águas cinzas e negras e abastecendo apenas os vasos sanitários estaria aproveitando apenas 30% das águas servidas tratadas e os outros 70% seriam encaminhados para a rede pública de esgoto pluvial.... e estes 70% equivalem a bem mais de um mês de água da chuva recolhida para uso na irrigação....
Então surgiu a dúvida, por que não utilizar também a água tratada pela ETE para irrigação do jardim e eliminar o recolhimento e uso da água da chuva? Já que seria jogada fora mais água tratada pelo ETE do que água recolhida pela chuva e que o gasto de todo o sistema de recolhimento e bombeamento da água da chuva se tornaria inutil e por isso contrário a qualquer conceito sóbrio de sustentabilidade e de bom senso....
Será que alguém seria (in)justo e responderia: Para quem tem a sustentabilidade só como ação marqueteira é melhor gastar recursos por nada do que perder pontos no LEED (já que o aproveitamento da água da chuva conta pontos) e correr o risco de perder a chance de fazer propaganda com um selo bonitinho no material de venda...
Não... claro que ninguém seria injusto assim...




















